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O chamado à vida monástica consiste, segundo a Regra
de nosso Pai São Bento, “à procura de Deus”
(RB 58,7). Mas, alguém pode dizer: eu procuro a Deus. Sim.Todo
cristão busca a Deus. Contudo, a procura de Deus na Regra
de São Bento é marcada pelo seguimento radical de
Cristo.
Quando alguém se apresenta à vida monástica,
S. Bento diz: “não se lhe conceda facilmente a entrada,
mas, como diz o Apóstolo: ‘Provai os espíritos
se são de Deus’. Portanto, se aquele que vem perseverar
batendo à porta... e persistir no seu pedido, permita-se-lhe
o ingresso” (RB 58, 1-4).
A perseverança é um dos elementos indispensáveis
para a vida, sobretudo para a vocação monástica
beneditina, que se abre se não por um estreito início
(Cf. RB Prol. 48). E, se alguém, desejoso de abraçar
a vida monástica, discerne consigo mesmo seguir o Cristo
neste estilo de vida, deve procurar cada vez mais uma vida de intimidade
com Deus, para que seus ouvidos estejam sempre abertos aos apelos
do Senhor, que fala: “ ’Hoje, se ouvirdes a sua voz,
não endureçais os vossos corações’.
E também aquele que tem ouvido para ouvir, ouça o
que o Espírito diz às Igrejas’. E o que diz?
‘Vinde, meus filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor
do Senhor. ‘Correi enquanto tiverdes a luz da vida, para que
as trevas da morte não vos envolvam” (RB Prol.10-11).
A vida monástica, como pode ser percebida na Santa Regra,
é dinâmica, nunca estática. Seu dinamismo envolve
a todos que se apresentam a ela, a tal ponto de serem convocados
a entrar na “escola do serviço do Senhor” (RB
Prol. 45). Eis o dinamismo proposto no prólogo da RB, expresso
através dos verbos de ação: “escutar”,
“inclinar o ouvido”, “renunciar”, “empunhar
as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência”,
“combater”, “empreender algo de bom”, “levantar”,
“correr”, “afastar-se do mal”, “ procurar
e seguir a paz”, “cingir os rins”, “glorificar
o Senhor”, “militar”, “cumprir”, “corrigir
os vícios”, “não fugir”, “progredir”
“participar dos sofrimentos de Cristo”, “merecer
estar com Ele” (cf. RB Pró).
As expressões acima mencionadas, carregadas de conteúdo
cristológico, estão estruturadas dentro do seguimento
de Cristo que se fez obediente à vontade do Pai. Como relata
o evangelista João: “Não vim fazer a minha vontade,
mas a d’Aquele que me enviou”(Jo 6,38). E atesta São
Bento no terceiro grau da humildade: “Por amor a Deus se submeta
o monge ao superior com inteira obediência, imitando o Senhor,
de quem diz o Apóstolo: ‘fez-se obediente até
a morte” (RB 7, 34).
A monja (o monge) sempre vai ser aquela pessoa atraída e
fascinada pela busca de Deus. Busca de Deus regida pelo caminho
da obediência, mas radicalizada no compromisso batismal. No
dizer de Pascual, na vivência do batismo.
Portanto, (...) este mistério se realiza em Cristo e na Igreja.
Batizar-se é aceitar Cristo e ser aceito por ele, é
identificar-se com ele e com o que ele se identifica; é incorporar-se
– começar a formar um só corpo – com Cristo
(...). (PASCUAL Augusto, 1994 CIMBRA p. 11)
Por conseguinte, a vida monástica assenta sua base na gênese
da vocação cristã, na vivência do batismo,
“radicalizar até as últimas conseqüências
alguns aspectos essenciais a este compromisso” (PACUAL p.11).
O monaquismo representa uma resposta generosa á comum vocação
cristã. Lançar-se nesta grande aventura é colocar
toda a esperança Naquele que se dignou contar-nos no número
dos seus (cf. Pro. 6). Assim, “cingidos, então, os
nossos rins com a fé e com a observância das boas ações,
e conduzidos pelo Evangelho, andemos por seus caminhos, a fim de
que mereçamos contemplar Aquele que nos chamou para o seu
Reino”; (RB Pro 21) “...de modo que não nos afastando
jamais de sua doutrina e perseverando no mosteiro até a morte,
sob os seus ensinamentos, nos tornemo-nos dignos de participar dos
sofrimentos de Cristo, por meio da paciência, para que mereçamos
estar com Ele no seu Reino, Amém” (RB Prol. 50). O
dinamismo espiritual da vocação monástico será
sempre um caminho de desafio, de descoberta, de desvendar o mistério
de Deus na nossa vida.
Em suma, eis o caminho que Deus propõe àquelas e àqueles
que se sentem chamadas (os) a uma vida de entrega mais radical no
seguimento de Cristo na vida monástica.
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